Argel se recusa a falar da gestão do Inter em 2015/16; filho de Piffero solta carta

Enquanto patina dentro de campo com duas derrotas seguidas no Brasileirão e vaga à Libertadores ameaçada, o Inter também enfrenta notícias negativas fora de campo. Nesta semana, o Ministério Público concluiu a primeira parte das investigações sobre irregularidades na gestão Vitorio Piffero entre 2015/2016, apontando desvios da ordem de R$ 13 milhões e denunciando 13 pessoas por crimes como organização criminosaestelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Em substituição a Diego Aguirre, demitido em agosto de 2015, Argel Fucks foi contratado por esta gestão. Mas se negou a falar sobre o assunto nesta quinta-feira, quando foi perguntado pela imprensa gaúcha logo depois da vitória do Grêmio na Arena por 2×1 sobre o CSA.

“Eu não tenho nada pra falar sobre isso”, resumiu.

Veja:

Filho de Piffero solta carta aberta nas redes sociais

Franco Piffero, filho de Vitorio Piffero, escreveu uma longa carta em defesa do pai nas redes sociais:

“Carta aberta de Franco Piffero, filho de Vitorio Piffero.

07 de Novembro de 2019.

Sempre me considerei uma pessoa normal. Apesar do sobrenome Piffero, sempre considerei meu pai uma pessoa normal. Vitorio Piffero é para mim um pai, como provavelmente deve ser para ti o teu. Defeitos, qualidades, erros, acertos fazem parte do dia dele tanto quanto do de qualquer outro. Só que na prática não é bem assim que funciona. Papai é uma figura pública e de popularidade gigantesca. Possivelmente a população gaúcha conhece mais o nome e rosto do ex-presidente Vitorio Piffero do que, por exemplo, de ex-governadores do estado. Quem que veio antes do Rigotto mesmo?

Ontem, 06 de Novembro de 2019, o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul concretizou a denúncia de que Vitorio Piffero teria sido corresponsável pelas ilicitudes cometidas no Beira Rio durante o seu mandato de 2015 e 2016.

A “Operação Rebote”.

Pegou moda estes nomezinhos, né? Na hora o que vem na minha mente é a Operação Lava-Jato. Ninguém é bobo, isso não é por acaso. A gente assiste séries e filmes, e lá mostra bem direitinho todas as tramas utilizadas pelos procuradores na hora de montar denúncias que tem apelo público, como é o caso da denúncia de dirigentes de um clube como o Sport Club Internacional. O povo adora, é só anunciar que haverá uma investigação que o murmúrio de roubou e não roubou começa. Em um país como o Brasil? Fica até sem graça brincar de polícia e ladrão. Todo mundo aqui é ladrão. No mundo todo você é inocente até que se prove o contrário. No Brasil você é ladrão até que você mesmo prove o contrário, e quando você provar, ainda assim não tenho certeza se vou acreditar. Vai que houve corrupção no julgamento também, não é mesmo?

É engraçado estar do lado de cá, conhecendo a verdade do meu pai e vendo a teatralidade da obra se desenrolando conforme os procuradores explicam como o seu incansável trabalho foi extremamente minucioso durante meses e anos de investigação para culminar em um pomposo “contra Vitorio Piffero não temos nada, mas ele tinha que saber”.

Claro que eles usam palavras como “coautor” e “corresponsável” para maquiar a denúncia para aqueles que não entendem (e nem precisam entender) a linguagem de advogados e acabam entendendo as coisas por contexto. Estes (o povo comum, o colorado das arquibancadas) escutam a palavra “corresponsável” e entendem corrupto, criminoso, chefe de quadrilha. Corresponsável significa: “ele estava ali”. Significa que possuem provas de atitudes ilícitas contra alguns dirigentes, mas que efetivamente não conseguiram provar nada contra Vitorio Piffero. No entanto, como ele estava lá ele “deveria saber”. Estou errado? Notem que eles não falam cúmplice nenhuma vez. Se ele roubou ele não seria “corresponsável”, ele seria o responsável pelo crime. Tu já foi “coassaltado” alguma vez?

Se eu fosse o procurador de justiça e pudesse provar que o ex-presidente do Sport Club Internacional Vitorio Piffero é ladrão, eu afirmaria com todas as letras. Vitorio Piffero é ladrão. Não falaria “Piffero é coautor, Piffero é corresponsável”.

Imagine que tu é hoje o presidente do Internacional. Que maravilha, hein? Tu já deve imaginar banheiras de hidromassagem, champagne com jogadores e empresários o dia todo, rindo à toa dos sócios e torcedores que sofrem enquanto tu estás no bem bom às custas deles.

A verdade, claro, é outra. Em vez de banheira tu tem 10 reuniões por dia. No lugar da champagne há uma pilha infinita de documentos para ler. Em vez de jogadores rindo e bebendo, há uma dúzia de repórteres querendo explicação do resultado de ontem, ou a resposta da declaração do rival. A mídia e as oposições políticas do teu próprio clube execrando a tua administração diariamente, a massa torcedora cobrando troca de técnico, troca de jogador, de gandula, flanelinha, uma viagem amanhã as 5 da manhã para o outro lado do país onde vai ser o próximo jogo, enquanto teus 3 playboyzinhos, privilegiados, brancos, héteros, classe média alta e a esposa recatada e do lar esperam pacientemente em casa pelo retorno do papai magnata. Comentei que não ganha salário? A poltrona é confortável, é verdade, mas tu trabalha de graça. Por 11 anos. Nem preciso dizer, né?

Mas, como família, desde o início estivemos juntos e unidos em apoio ao homem gigante que é capaz de tudo isso: Vitorio Carlos Costi Piffero. “Mas Franco, porque o Ministério Público denunciaria o teu pai se ele não estivesse envolvido?” Excelente pergunta. Por que eles fariam isso?

É que papai não é só mais um brasileiro pai de família. Papai é sim, famoso. Com todo o respeito, mas derrubar vice não é interessante. Mas agora, se eu derrubar o famoso Vitorio Piffero, o dirigente mais campeão da história do Sport Club Internacional (e do estado) meu nome ficará na história. Assiste a coletiva de imprensa, A PRIMEIRA pergunta foi sobre o envolvimento do Piffero. Absolutamente TODAS as manchetes falam em Piffero e mais nenhum nome. São 14 acusados. Faz sentido?

Tu saiu pra pescar no fim de semana. Sábado tu pescou 10 peixes médios. Domingo tu pescou um peixe só, só que era um Marlim de 30 quilos. Qual foto tu posta no Instagram? Mas enfim, queria dar minha cara justamente em um momento como este para agradecer o Ministério Público do estado do Rio Grande do Sul, que depois de 3 sofridos anos, finalmente denunciou o meu pai.

06 de novembro de 2019.

Esta se tornou uma data muito significativa para a família Piffero. Ontem, o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul concretizou a denúncia de que Vitorio Piffero teria sido corresponsável pelas ilicitudes cometidas no Beira Rio durante o seu mandato de 2015 e 2016.

Que alívio. Há 3 anos lemos a imprensa e os seus consumidores debatendo especulações sobre o que aconteceu, como aconteceu e quem estava envolvido. Depois de 3 anos de desconfiança a justiça vai poder esclarecer todos os fatos. Que tudo seja explicado. Comprovado o crime, que haja punição firme para o culpado. E que toda a população veja o que aconteceu. Meritíssimo, segue o dinheiro, o dinheiro não sabe mentir.

Baita data o dia 06 de Novembro. A partir de hoje o cidadão comum Vitorio vai finalmente começar a provar para todos que ao invés de “chefe de quadrilha” é “chefe de família”.

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