Wallace lamenta pouco tempo no Grêmio, rasga elogios a Bolzan e aprova até o hino: “Poético”

Zona Mista publica entrevista exclusiva com o ex-zagueiro gremista Wallace Reis, atual defensor do Göztepe-TUR.

Foto: Divulgação/Grêmio
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Do contrato assinado por três anos, Wallace Reis cumpriu apenas seis meses no Grêmio em 2016 antes de acertar a sua transferência ao Gaziantepspor, da Turquia, logo na abertura do ano seguinte. O tempo em Porto Alegre foi curto, mas suficiente para o atual defensor do Göztepe, também do país turco, criar interessantes opiniões sobre o tricolor gaúcho, das quais você confere abaixo na nova entrevista exclusiva do Zona Mista.

Zona Mista: Como você avalia a sua passagem pelo Grêmio? Por ter assinado um contrato de três anos, esperava ter ficado mais?

Wallace Reis: A minha passagem acabou sendo muito rápida. Fiquei menos de seis meses. Acabou sendo mais rápida que a expectativa que eu tinha de fazer um longo período no clube. Mas, infelizmente, as coisas muitas vezes não se desenham como a gente quer. Tive a oportunidade de sair e ir para a Turquia, até porque eu não estava jogando naquele momento e são escolhas que, em questão de carreira, podem não ser as mais adequadas. Falo no quesito de fazer história. Eu necessitava sair. Infelizmente. E acabei optando por jogar na Turquia. Coisas do futebol. Porém, sou grato ao Grêmio, tenho um carinho pelo clube e realmente gostaria de ter ficado mais tempo. Mas havia o fato de que eu estava ansioso para voltar a jogar.

ZM: Aqui no Rio Grande do Sul, há uma tese de que os títulos obtidos já com o Renato no comando tiveram “ajuda” decisiva do trabalho anterior do Roger Machado. Você concorda?

WR: Eu acredito que foi uma junção. O trabalho do Roger sim, com certeza, ajudou o Renato. Teve essa quimera. E quem ganhou com isso foi o Grêmio. O clube revelou um profissional de altíssimo gabarito que é o Roger e trouxe outro profissional excelente que é o Renato. Fazendo a junção do viés de um trabalho com o viés de outra vertente. Acabou que se encaixaram e gerou essa sequência de títulos ao Grêmio. Mas o Renato, claro, tem grande parcela, assim como o Roger também deu a sua contribuição em todos esses títulos do clube.

ZM: Naquele momento em 2016, você já sentia que um grande título estava perto do clube? Notava que a gestão do presidente Romildo Bolzan era diferente em um sentido positivo?

WR: Sobre o presidente… sem palavras por tudo o que ele fez pelo Grêmio. Talvez já seja um dos maiores da história. Era notório pela qualidade que o elenco tinha, as peças que se tinha e a fome daqueles jogadores de vencer. Todos os times que eu tive a oportunidade de jogar e ganhar, tinham essa característica que eu vi no Grêmio. Ambição de vencer. Aquele time gremista tinha muito isso. Os treinos eram extremamente competitivos. Havia uma competição sempre muito árdua por posição, e isso fazia com que todos elevassem o seu nível de qualidade.

ZM: O Geromel é o melhor zagueiro com quem você já jogou? O que mais te chamava a atenção ao jogar com ele?

WR: Eu acho o Geromel um excelente zagueiro, talvez hoje seja o melhor do Brasil, mas o melhor que eu já joguei é o Anderson Martins. Talvez em proporção de carreira um (o Geromel) tenha atingido outro patamar, mas o Anderson na minha opinião é um ponto fora da curva como zagueiro. Na minha visão, o Geromel foi o segundo melhor que eu joguei junto com o Juan. Os dois ficam bem pau a pau ali.

ZM: Gostaria de também te perguntar sobre torcidas. Você atuou no Flamengo e no Corinthians, duas das maiores torcidas do Brasil. Mas, de alguma forma, a torcida do Grêmio e o “jeito de torcer” no RS te chamaram a atenção?

WR: Sem dúvida nenhuma. O torcedor gremista, e o torcedor do Sul em geral, ele tem um amor muito grande pelo seu clube. Esse bairrismo que vocês têm eu acho sensacional. Coisa que, por exemplo, na minha Bahia não se tem. O modo como vocês enaltecem e torcem pelas equipes de vocês eu admiro muito, e acho magnífico. A torcida do Grêmio é calorosa e fanática. Já deu muitas provas disso ao longo de toda a história. Acho que até o hino do Grêmio é o mais bonito dos clubes. Do Lupicínio Rodrigues, né? Quando escreve e canta que “até a pé nos iremos para o que der e vier (…) com o Grêmio onde o Grêmio estiver”. É muito poético”.

ZM: Para encerrar, você sempre foi um jogador conhecido por ser articulado, estudioso, com boas visões sobre temas fora do futebol. Dentro disso, gostaria de ter perguntar como você tem visto a maneira como o Brasil tem enfrentado a pandemia do coronavírus. Você sente que já é possível retomar o futebol?

WR: Eu acho que não estou gabaritado para falar em relação ao coronavírus, porque não estou no país e não sei exatamente como as coisas estão aí. Acho que passa muito pelo processo político que estamos vivendo no Brasil. Estão deixando a ciência de lado. Não entenderam que cada estado tem a sua peculiaridade, e isso acaba afetando também o retorno do futebol. Mas aqui na Turquia a gente retornou, e retornou bem. Eu realmente não me sinto totalmente preparado para ser bem sensato com uma opinião sobre o assunto no Brasil. Como tenho lido pouco as notícias sobre o nosso país, nesse momento não estou capacitado para isso. Eu gostaria muito de poder dar uma opinião bem embasada.

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